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Entrevista com Lucie Priscille Assongon Ela, Jovem Tecelão da Paz

Lucie Priscille Assongon Ela é oriunda da parte sul dos Camarões na zona fronteiriça. Faz parte da rede de “Jovens tecelões da paz nas regiões transfronteiriças do Gabão, Camarões e Chade”.
Tisserands de la paix

1. Como se juntou ao projecto “Os Jovens Tecelões da Paz”?

Sou professora de formação, e juntei-me à rede de Tecelões da Paz durante um seminário de formação e sensibilização organizado por um grupo da UNESCO na nossa localidade, em Novembro de 2021.

2. Como é que a sua participação neste projecto a beneficiou a si e a outros jovens da África Central?

A participação no movimento Tecelões da Paz tem sido de grande benefício para nós. De facto, Ambam é uma cidade de cruzamento, uma cidade de intercâmbio, partilha e coabitação entre as diferentes comunidades indígenas e estrangeiras. Era, portanto, imperativo para nós, que vivemos numa zona fronteiriça com uma grande população, levantar o estandarte da paz.

3. Pode explicar-nos como é que este projecto tem ajudado as comunidades a viver em paz em zonas propensas ao conflito e à insegurança?

Realizámos visitas a escolas onde se encontra a grande maioria dos jovens, e realizámos actividades de sensibilização. Reactivámos o clube da UNESCO na escola secundária bilingue de Ambam, que inclui falantes de inglês, francófonos e jovens de países vizinhos. Estamos quase certos de que hoje, os jovens aderem a este ideal de paz. Na véspera do 11 de Fevereiro (Dia da Juventude nos Camarões), ofereceram um magnífico “dia aberto” onde demonstraram o seu know-how. Esta aventura continua com a criação de uma horta escolar, sempre acompanhada pelos Tecelões da Paz, que se baseia no culto do esforço, da perseverança e da convivência.

4. Porque é que acha que é tão importante envolver os jovens nos processos de paz?

“A juventude é a ponta de lança da nação”, como costumamos dizer. São o segmento mais sensível, ingénuo e permeável da sociedade; os jovens copiam facilmente o que é negativo, razão pela qual é nossa responsabilidade transmitir-lhes os valores de paz, coesão social e tolerância que permanecerão com eles.

O melhor legado que podemos dar aos nossos semelhantes é a paz. É inerente a todos nós, é grátis, mas é muito valiosa.
Lucie Priscille Assongon Ela